Tutorial - Diagnóstico da bateria e do sistema de carregamento Fazers 150 e 250

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Tutorial - Diagnóstico da bateria e do sistema de carregamento Fazers 150 e 250

Mensagem por Ctrl-Alt-Del em Ter Dez 26, 2017 6:58 pm

Diagnóstico e Solução de Problemas do Sistema de Carga


Este procedimento se aplica aos modelos Fazer YS 150 e YS 250 dos anos modelo indicados na tabela ao final do texto, até modelos 2017 [data base 09/17]. Se entenderes a sequência lógica do processo de testes que fará. Caso precises ir ao mecânico ou auto elétrico. Tu já irás sabendo onde estaria o problema. Você poderá seguir este procedimento existindo ou não a indicação do código de falha 46. Por exemplo, caso queira saber como está o sistema de carregamento ou a bateria.


Código de nº de falha mostrado – 46 (Não entendeu? Leia o manual do proprietário)

Sintoma  – fornecimento de energia para o sistema F.I. (injeção eletrônica) não está normal.

Prováveis causas do mau funcionamento:

a. mau funcionamento do sistema de carga;

b. queda da tensão (V) da bateria.

Nota: se quando você vira a chave para ON nada acontece, o painel nem ascende, ou o motor não pega. A primeira coisa a fazer é verificar se os fusíveis não estão queimados ou com mau contato. Para a Fazer 250 o principal é de 30 A e da ignição 10 A. Para a Fazer 150 há somente um fusível de 15 A. A segunda é examinar as conexões entre os terminais dos cabos e bateria e ter certeza absoluta que não haveria mal contato por zinabre ou cabos mal conectados ou soltos por falta de aperto. Prestenção nesses detalhes antes para não se descabelar à toa e querer se matar depois.


Pré-requisitos
Tenha em mente que uma bateria é um acumulador de energia elétrica. A bateria não cria energia elétrica, ela somente acumula parte da energia que ela recebe para depois devolver ao sistema elétrico do veículo. Se a bateria não receber energia suficiente, ela não poderá acumular a energia mínima necessária, mesmo que ela esteja 100% ou zero bala. Ou seja, nem sempre o problema está na bateria embora seja o problema mais comum encontrado.

Antes de testar a tensão (V) da bateria certifique-se que os bornes (polos) estejam perfeitamente limpos, isentos de zinabre ou graxa. Para depois fazer os testes.

Equipamento necessário – um multitester (multímetro) que atualmente se encontra em qualquer loja de ferragens, de ferramentas ou baratos afins. Que custa por volta de 15 Temers [janeiro/17]; e uma chave Philips 3/16¨.



1. Teste da bateria
Com a chave do contato desligada (OFF). Retire a tampa lateral que cobre a bateria. Desconecte primeiro o cabo “negativo" (-) e depois o positivo (+) da bateria. Ligue o multitester, selecione a escala 20 DC e meça a voltagem somente entre os bornes da bateria com a ponta vermelha do multitester no borne (+) da bateria. Quando o valor estabilizar anote. Veja na tabela qual é o valor mínimo aceitável para o respectivo modelo em: tensão mínima da bateria. E compare.

Se ela for uma bateria convencional daquelas que precisa de solução. Verifique o nível da solução, se estiver abaixo do nível, acerte o nível com “água destilada” ou água de chuva limpa que talvez dê para salvar a bateria por enquanto.

Se a voltagem estiver abaixo do aceitável a bateria está ruim? Resposta: ainda não dá para saber. A única coisa que se pode afirmar é o que você viu no teste que é a voltagem, simples assim. A bateria pode estar somente descarregada, pode estar ruim não segurando mais carga; ou pode estar boa e o problema estar em outro componente que não a está carregando suficientemente. Se você se basear somente nessa leitura, você poderá comprar uma bateria sem necessidade, gastar 50 Obamas ou mais, e continuar com o B.O. na mão véio.

Importante
Se ela estiver com a voltagem pouco abaixo do valor mínimo indicado na tabela para o respectivo modelo e ano. Para continuar os testes é suficiente dar uma “carga lenta” na bateria. Que no caso seria com 0,6 A durante 10 horas no carregador para Fazer 250 e; 0,5 A para a Fazer 150. Depois disso, somente continue com os testes, depois de tirá-la do carregador e esperar uma hora para a bateria esfriar. E agora teste novamente, se ela reprovar depois de receber a carga. Sobre o restante do sistema de carregamento ainda não sabemos, mas essa bateria aí, já era. Se ela reprovou no teste de tensão, pule para o teste 3. Porque pode ser que outro componente com defeito tenha reduzido a vida útil da bateria.


2. Teste de consumo de energia da bateria
Se a bateria passar no teste 1. Então agora faça o teste de consumo. Há duas maneiras de fazê-lo, se a partida da sua moto é na base do feijão. Só dá para fazer o teste de consumo “leve”, contudo esse atende às motocicletas que não tem partida elétrica, que é:

2.1 Teste de consumo leve – reconecte a bateria, primeiro o cabo (+) depois o (-); gire a chave do contato para ON e ligue o farol alto se ele não ligar direto quando se vira a chave. Imediatamente meça a voltagem entre os polos.

Leitura 11,5 V ou acima (DCA 20 V) – se a voltagem indicar acima  deste valor parece estar O.K., anote o valor para não esquecer. Mantenha o farol aceso e marque três minutos no relógio  e meça a voltagem novamente. Se a voltagem depois de três minutos  cair mais de 0,22 V (em três minutos) do que estava no início. Então a bateria não está mais segurando a carga como deveria, ou já está no final da vida útil dela. Neste último caso prepare o bolso que se você não trocar a bateria agora, logo precisará fazê-lo.

Exemplo de uma bateria  de 12 V, 5 Ah que está boa (a minha) mas no limite:
Tensão desconectada dos terminais dos cabos: 12,82 V
Tensão da bateria após acabar de ligar o farol: 12,20 V
Após 1 minuto: 12,21 V
Após 2 minutos: 12,20 V
Após 3 minutos: 12,19 V.


2.2 Teste de consumo pleno
Siga o procedimento inicial para consumo leve (de 2.1) ligando os cabos na bateria. Meça a voltagem e anote o valor. Agora é melhor que você tenha a ajuda de alguém. Uma pessoa deve observar a leitura da voltagem da bateria que irá cair. Enquanto a outra gira a chave para ON e aciona a partida elétrica, mas sem acelerar! Tudo bem se o motor não pegar que é até melhor. Se o motor pegar muito rápido que não dê para fazer a leitura quando cair ao mínimo, vá na caixa de fusíveis e retire o fusível da injeção se for a Fazer 250, que aí ela não vai pegar nem fo...ndo.
Uma bateria em bom estado durante a partida não deve mostrar leitura abaixo de 9.5 V. Faça mais dois testes espaçados de 10 segundos cada um. Se depois da terceira partida a bateria mostrar durante o teste menos de 9.5 V, ela estando “completamente carregada”. Desencane que a bateria já era.

Se a bateria passou pelo teste 2.1 ou 2.2 este último para motos que usam partida elétrica. Então beleza a bateria está boa. Vamos para os próximos testes.


3. Teste do sistema de carga
Com a bateria instalada, qualquer dúvida releia o tópico 1. De a partida normalmente. O teste pode ser feito sozinho, mas com alguém para ajudar facilita. Faça a leitura da voltagem enquanto o motor está em marcha lenta e anote. Agora mantenha o motor em 5.000 RPM faça a leitura e anote o valor quando estabilizar. Agora consulte a tabela em: tensão de carga a 5.000 RPM. Para o ano e modelo da sua moto. Se estiver dentro do esperado, tá tudo certo aqui.

Se a voltagem estiver maior que o indicado na tabela, existe forte evidência de defeito no regulador de voltagem  (e retificador). Para ter certeza absoluta você terá que fazer os testes 5. e 6. Se a voltagem estiver menor que o valor mínimo da tabela para o modelo testado, vamos ao teste 4. Note que se a voltagem de carga estiver abaixo de 13 V a 5.000 RPM, já te adianto que o estator está fazendo hora extra e não vai aguentar por muito mais tempo.


4. Teste da resistência da bobina do estator
Este teste somente confirma que a bobina do estator está com defeito. E, portanto não está carregando a bateria o suficiente. Após ter feito o teste anterior 3., você já saberá se o problema está no regulador de voltagem ou no estator. Que é o bastante para você ir ao mecânico ou eletricista e dizer os testes que fizeste e o que está acontecendo. Se você explicar claramente mas ele não entender, nem perca o teu tempo que ele não é do ramo. O teste é o seguinte:

- desconecte o conector AC do chicote;
- conecte o multitester com a escala ôhmica (Ω) selecionada na escala 200 ou menor;
- veja na tabela as cores dos fios a serem conectados com o multitester para medição;
- anote o valor quando estabilizar e consulte a tabela.

Por fim faça os últimos testes para verificar se não existe fuga de corrente no circuito.


5. Teste de fuga de corrente no circuito
Estes testes visam verificar se existe ou não algum possível curto circuito ao longo do chicote ou em algum componente. A existência de algum  curto já pode ter queimado algum componente. Se não queimou cedo ou tarde irá queimar alguma coisa.

5.1 Com a chave em OFF
- remova o fusível principal;
- no multitester selecione corrente DC, escala de 20 amperes (A) ou menor;
- a ponta vermelha (+) do lado da bateria e a preta do lado do chicote;
- faça a leitura do aparelho.

O valor deve ser 0 (zero).

5.2 Com a chave da ignição em ON
- faça a leitura no multitester.

O valor da leitura agora deve ser maior que zero. Se for igual a zero verifique a fiação em busca de um curto circuito, conforme o item 6. Que é o próximo teste.


6. Testes de fiação
Para este(s) teste(s) é preciso usar o diagrama elétrico do sistema de carga. Recomendo que procure um profissional com competência técnica para fazê-lo. Caso precise do diagrama, solicite por mensagem no post. Porque o diagrama é propriedade da Yamaha e não poderei postá-lo publicamente sob o risco de incorrer em questões legais. Mas nada que um bom profissional do ramo não possa contornar fazendo os testes com a diligência necessária.
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Tabela para consulta:




Referências: Yuasa Tech Manual 2014 Edition e Yamaha’s Workshop Manuals.

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